Huggs e o enfraquecimento da figura do nazista

Este post contém pequenos spoilers a respeito do Star Wars EpiVIII, então não chorem depois.

Antes de mais nada, vamos estabelecer os critérios básicos deste post: Huggs é um nazista em um ambiente de fantasia. Mas não tenha dúvidas: ele representa um nazista.

Historicamente, os nazistas no cinema são representados como um centro de poder e perigo, seja em nazistas óbvios (como Hans Landa, em Inglorious Basterds), como em não óbvios (como Tarkin, em Uma Nova Esperança). Eles são feitos para ameaçar o espectador através dos personagens, como na tensão causada por Landa no começo de Basterds ou quando Tarkin decide explodir Alderaan. E isso se dá para que se crie, na figura do nazista, um vilão perigoso. E, para isso, era preciso dar poder ao nazista.

Mas isso foi em uma época em que o nazismo era uma sombra do passado, algo muito distante e que foi derrotado há muitos e muitos anos, então o distanciamento histórico nos permitia fazer essa relação, do nazista enquanto inimigo poderoso.

Hoje os tempos são outros, em que somos surpreendidos com o retorno do nazismo e de movimentos nazifascistas, então não podemos mais nos dar ao luxo de empoderar nazistas, mesmo na ficção, e mesmo sendo ele um vilão, porque isso estaria criando um símbolo para essa nova geração de nazistas que vêm surgindo.

E então chegamos ao Huggs em Star Wars EpiVIII. No filme, Huggs é humilhado o tempo inteiro. Ele é subjugado, avacalhado, reduzido a nada, ou seja, o retorno da ameaça nazista refletiu na forma como os nazistas devem ser retratados no cinema.

Um nazista não deve mais ser símbolo de terror, mas sim de riso. Nazistas são patéticos e risíveis, e a modernização do cinema enquanto mídia deve acompanhar essa tendência, retratando como um alívio cômico sustentado basicamente na humilhação e rebaixamento do personagem.

Nazistas não merecem o nosso medo. Nazistas não merecem o nosso respeito. Nazistas não merecem nem ter o seu nome grafado da forma correta neste post.

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5 comentários em “Huggs e o enfraquecimento da figura do nazista

  1. É isso que eu penso. Não tem que haver tolerância a movimentos que buscam oprimir/subjugar camadas sociais diferentes. Por mais incoerente que possa parecer, deve haver intolerância à intolerância. Não tem essa de “mas cada um tem direito a ter opinião” nestes casos. Tem que apontar o dedo na cara e gritar pra todo mundo ficar ciente da imbecilidade alheia: abaixo nazismo, fascismo, machismo, racismo, etc.

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