1993

Em 1993 eu tinha 15 anos, e esse foi um dos anos mais importantes da minha vida.

Eu era grunge nessa época. Usava bermudão xadrez, camisa de flanela e, por baixo, uma camiseta de banda. Tinha cabelo comprido, pela metade das costas, e usava cavanhaque.

Eu já tocava guitarra há um ano, mais ou menos, e me achava o guitar hero. Minhas bandas preferidas vinham de Seattle, meus filmes eram violentos. Eu nunca quis tanto ir a um festival de rock quanto o Hollywood Rock de 1993. Nesse ano que teve Nirvana, L7, Red Hot Chilli Peppers, Alice in Chains… era o meu auge musical e meu auge da rebeldia.

Minha mãe tinha certeza absoluta que eu fumava maconha, apesar de nunca ter chegado perto de um baseado. O cheiro me enojava. Me enoja até hoje, na verdade.

Foi no verão desse ano que eu fiquei com a minha major crush da época, numa festa de Miss Brotinho da praia. Passamos alguns meses ficando-quase-namorando, até que resolvemos namorar. Ela terminou comigo menos de um mês depois de termos começado a namorar, no verão de 1994, mas isso é outra história.

Quando eu comecei a ficar com essa guria, no final de janeiro de 1993, sem querer, iniciei uma verdadeira guerra em Arroio Teixeira (a praia que eu veraneio). Pois acontece que essa guria tinha namorado com um marisqueiro um tempo atrás (marisqueiro é o termo que a gente usa aqui no Sul pra designar pessoas que nasceram ou moram na praia), e que ainda era apaixonadinho por ela.

Putz, fui jurado de morte, né? Nunca vou esquecer duma briga que rolou no clube, onde o Júnior levou uma joelhada no saco e saiu carregado, puto da vida. Acho que, nessa confusão, que durou uns 2 ou 3 anos, todos meus amigos acabaram machucados. O Charles teve um dente quebrado numa cabeçada, e por aí vai.

Mas em mim, nunca tocaram.

Passei o verão inteiro ficando com essa guria e ficamos mais várias vezes durante o ano.

O verão terminou e as aulas recomeçaram. Eu estava no segundo ano do segundo grau, mas ainda fazia dependência de física do primeiro ano, no Colégio Cruzeiro do Sul. Dizem que o Érico Veríssimo estudou lá, mas whatever.

No Cruzeiro eu me relacionava basicamente com os freaks, punks e grunges. Passávamos as manhãs falando de música. Ouvíamos muito harcore e íamos frequentemente na Megaforce e na Madhouse atrás de CDs de bandas como Agnostic Front, Sick of it all, Biohazard, NOFX, Bad Religion e coisas assim.

Eu tinha uma pseudo-banda na época. Depois da aula o “pessoal que usava calças largas” se reunia todo num condomínio da Zona Sul pra tocar. Eu atravessava a cidade de ônibus com a minha guitarra Golden Les Paul azul placa de ônibus debaixo do braço pra tocar com eles. O nome da nossa pseudo-banda era Toilet-paper Warriors.

Ok, péssimo, eu sei. Mas a gente se divertia escrevendo músicas que zoavam nossos professores.

A gente era fascinado pelo livro Barulho: uma viagem pelo underground do rock americano do André Barcinski. Era o nosso On the road.

Quando não estávamos falando de música, estávamos assistindo Laranja Mecânica. Como eu tinha dois vídeos na época, aluguei a fita e copiei. Essa fita passou por todo o Colégio Cruzeiro do Sul.

Mas eu era muito deprimido nessa época. Essas reuniões que eram divertidíssimas aconteciam mais ou menos uma vez por mês, na verdade. O resto do tempo eu passava em casa, sozinho, olhando pra parede, ouvindo música ou tocando guitarra.

A música que eu mais me identificava, nesses momentos, era Christie Road, do Green Day:

Staring out of my window
Watching the cars go rolling by
My friends are gone
I’ve got nothing to do
So I sit here patiently
Watching the clock tick so slowly
Gotta get away
Or my brains will explode

Give me something to do to kill some time
Take me to that place that I call home
Take away the strains of being lonely
Take me to the tracks at Christie Road

See the hills from afar
Standing on my beat up car
The sun went down and the night fills the sky
Now I feel like me once again
As the train comes rolling in
Smoked my boredom gone
Slapped my brains up so high

Give me something to do to kill some time
Take me to that place that I call home
Take away the strains of being lonely
Take me to the tracks at Christie Road

Mother stay out of my way of that place we go
We’ll always seem to find our way to Christie Road (reapeat)

If there’s one thing that I need that makes me feel complete
So I go to Christie Road
It’s home

Outros CDs que eu ouvia bastante quando tava deprê eram o Nevermind, do Nirvana, e o Blood Sugar Sex Magik, do Red Hot Chilli Peppers. Ah, saudosos tempos em que o Chilli Peppers era legal…

Naquele ano eu tive um problema sério com uma professora de literatura. Na verdade eu sempre tive problemas com professores, nunca aceitei a autoridade deles e sempre retrucava o que diziam.

Mas nesse ano a coisa foi feia. A vaca tentou me rodar, escondendo uma das folhas da minha prova no exame final. Mas o diretor acabou encontrando a folha e a vagabunda foi demitida.

E assim acabou 1993. Um ano onde nada de mais aconteceu, mas foi um dos anos que definiu a minha personalidade.

Em 94, tudo mudou.

Tomei um pé na bunda, cortei o cabelo, o Kurt se matou e vi os Ramones ao vivo. Mas isso é uma outra história.

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Um comentário em “1993

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