Espaço: a fronteira final

29 de Abril de 2009 9:09

Sabe, eu demorei pra gostar de Star Trek. Foi por causa de uma decisão que tomei quando fiz 30, de dar uma nova chance para coisas contra as quais tinha preconceito, que passei a admirar profundamente a série clássica. Mas só a série clássica, porque tentei ver as outras e continuo não gostando delas. Mas não é a minha jornada enquanto novo trekker que é o real assunto deste post. A verdadeira moral dele é que, enquanto assistia aos episódios da série clássica, percebia diversos elementos que formam uma boa aventura de RPG, coisa que ficou ainda mais claro depois de ler a antiga (e ótima) edição do RPG lançado pela Last Unicorn Games.

Os episódios da série clássica variavam geralmente dentro de quatro arquétipos básicos: conflitos entre a humanidade e a tecnologia, a fortaleza que protege o intransigente, locais paradisíacos onde o mal se esconde e o benefício para a maioria. Vamos examinar cada um deles mais de perto e ver o que podemos extrair de elementos interessantes para as nossas mesas de jogo:

Conflito entre humanidade e tecnologia: o conflito homem x máquina é um grande clássico na cultura fantástica. Quantas vezes a Enterprise não foi ameaçada por uma nova arma dos Romulanos – até mesmo o clássico dispositivo de camuflagem das Naves de Rapina -, ou por uma sonda espacial que adquire inteligência própria? As possibilidades de criação de histórias envolvendo este arquétipo são muitas, variando de acordo com as intenções de quem vem utilizando o equipamento tecnológico. Por exemplo, o vilão que armou todo o seu plano ao redor desse aparato pode se ver perdido caso a sua grande fraqueza venha a ser descoberta. Ou, caso o aparato seja de um proprietário aliado ou mesmo neutro, este pode acabar corrompido pelo item. Ou até mesmo o item pode desenvolver uma inteligência própria e ter a sua agenda particular. Em um ambiente de fantasia medieval como o D&D, o conflito homem x máquina também é possível, bastanto utilizar um item mágico ao invés de um construto tecnológico. Ora, o que é o conflito entre o Frodo e a corrupção do Um Anel senão uma representação da luta do homem x a máquina?

A fortaleza que protege o intransigente: em diversos episódios de Star Trek, o “vilão” é o completo isolamento. Muitos se protegem atrás de “paredes”, mesmo quando tudo o que essa proteção oferece é a ignorância e a morte. É claro que o conceito de “parede” é totalmente abstrato, a fortaleza pode ser apenas a intransigência cega de reconhecer a realidade dos fatos, levando o intransigente a um comportamento violento e destrutivo. O próprio “intransigente” não precisa se limitar a um ser apenas, mas também a mundos inteiros, cegos pela tradição milenar ou por um preconceito ignorante que possuem.

Locais paradisíacos onde o mal se esconde: o universo de Star Trek é recheado de tentações, que vão desde a atalhos para o poder e conforto, mas que levam à corrupção e destruição daqueles que mordem a isca. Esse arquétipo também é explorado em conjunto com o anterior, onde uma sociedade primitiva acaba seguindo de forma inquestionável um ditador tirano, cegos por toda a ilusão de conforto e riqueza oferecida por ele.

O benefício para a maioria: Star Trek conta várias histórias de sacrifício pessoal, onde a ideia da sociedade como um todo é mais importante que as necessidades e desejos de um pequeno grupo ou até mesmo de um indivíduo. É sempre bom lembrar do sacrifício de Kirk ao deixar seu grande amor, Edith Keeler, morrer, para que a humanidade fosse salva, ou até mesmo a morte de Spock em A Ira de Kahn. É importante passar a idéia do sacrifício como algo que surta efeitos significativos e que o sentimento de perda seja duradouro e real.

Sem dúvida decidir dar uma nova chance para Star Trek foi uma ótima decisão. A riqueza do universo, a simplicidade e a profundidade dos elementos que compõem a série clássica acrescentaram muito à minha cultura nerd. Recomendo a todos!

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