Fazendo os monges terem sentido no D&D

Muita gente não gosta dos monges no D&D porque os consideram que lutadores orientais estariam deslocados da noção de fantasia proposta pelo jogo, como se kung-fu não combinasse com a Europa medieval.

Por óbvio que essas pessoas têm razão, mas acontece que a tradição dos monges no D&D, assim como muitas outras coisas do jogo, se perdeu com o passar do tempo e das edições. Sendo o Vorpal o grande arauto old school da blogosfera brasileira, me sinto na obrigação de colocar em contexto a tradição dos monges dentro do universo do D&D.

Os monges no D&D vêm do cenário clássico Greyhawk, mais especificamente da Península de Tilvanot, também conhecida como Grande Império Oculto da Irmandade Escarlate. Esse império é comandado por um grupo de monges, respondendo pelo seu supremo líder, o Pai da Obediência.

Formada exclusivamente por humanos da raça Suloise, os monges são absolutamente fanáticos pela sua cultura e buscam reafirmar a supremacia de sua raça sobre todas as demais. Os monges, membros dessa irmandade, se assemelham muito mais aos nazistas da Segunda Guerra do que aos monges Shao-lin e demais praticantes das artes marciais. A tonalidade da pele é pálida, os olhos são azuis e o cabelo é sempre loiro. Uma criança que não possua todas essas três características ao nascer não é aceita como monge, devendo buscar outra forma de ganhar a vida.

Os membros da Irmandade Escarlate se veem tão acima de todos os outros seres de Oerth que rejeitam e repugnam o uso de qualquer tipo de arma, pois se consideram armas em si mesmos, de modo que, para eles, seus punhos são mais poderosos que qualquer espada. Assim, seguindo os passos do Pai da Obediência, esses monges se entregam ao treinamento de combate desarmado, aperfeiçoando uma técnica cheia de orgulho, tradição e ódio.

A Irmandade Escarlate foi bastante desenvolvida por Sean K. Reynolds no livro The Scarlett Brotherhood, lançado pela TSR no final dos anos 90 e recebeu um tratamento final no excelente Living Greyhawk Gazetteer, escrito pelo Eric Mona logo que a Terceira Edição foi lançada.

No entanto, nenhum desses esforços foi suficiente para manter essa classe exótica dentro do contexto proposto por ela, inclusive pela ironia constante do Player’s Handbook, que retrata o monge através da figura de uma mulher negra.

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