Call of Cthulhu

Eu vivo falando de D&D aqui, é D&D isso, D&D aquilo… mas não hoje. Hoje eu vou falar de um dos maiores chuchus da minha prateleira: Call of Cthulhu. Eu gosto tanto, mas tanto desse jogo que, independente do sistema que eu esteja usando, eu sempre estou mestrando Call of Cthulhu. Se vocês prestarem atenção, a minha campanha atual é D&D 3.5, mas a história é Call of Cthulhu. A minha campanha frustrada da 4e também tinha história Call of Cthulhu. Ano passado eu mestrei Paranóia e a história era Call of Cthulhu!

Eu definitivamente nunca vi um RPG com um background tão interessante. Quando joguei pela primeira vez, nunca tinha sequer ouvido falar em H.P. Lovecraft, mas surtei quando ouvi o mestre descrevendo um shoggoth. A minha mente se desintegrou junto com a mente do personagem. Desde então, passei a pesquisar a obra do autor e hoje ele está no meu Top 3 escritores de todos os tempos, ao lado de J. R. R. Tolkien e Sir Arthur Conan Doyle.

Logo depois, Call of Cthulhu se tornou meu jogo favorito, especialmente nos meus primeiros anos sentado atrás do screen. O meu background na época era muito mais voltado para a literatura de terror do que de fantasia, então essa era uma escolha natural pra mim, mesmo em detrimento do AD&D.

Eu gosto muito da abordagem do H. P. Lovecraft em relação ao horror em oposição a, por exemplo, Edgar Allan Poe. Sim, eu tremi de medo ao ver que a fortaleza elitista em Masque of Red Death fora invadida por um infectado, mostrando que a morte é inevitável e que ela não pode ser impedida mesmo com todo o dinheiro do mundo. Também morri de medo ao saber do destino de Madaline Usher e O Corvo é meu poema favorito de todos os tempos. Mas ainda assim, esses elementos de horror são palpáveis e limitados. O infectado, por mais terrível que seja, é apenas um infectado (apocalipse zumbi, alguém?). A Madaline foi enterrada viva e ponto final.

Já com Lovecraft é diferente. O horror na obra dele é algo mais onírico, mais abstrato e de proporções incalculáveis e, por isso, mais apavorante. Como o próprio Lovecraft já disse, “a mais antiga e mais forte emoção do homem é o medo, e a forma mais forte de medo é o medo do desconhecido” , e é exatamente isso que Call of Cthulhu oferece. O medo de uma ameaça não só desconhecida, mas também cujo conhecimento está além da compreensão humana.

Eu sinceramente acredito que boa parte do bestiário do livro está lá apenas para enfeite, já que investigador algum sobreviveria a um encontro com Azathoth. Na verdade ouso dizer que a morte seria a melhor coisa que poderia acontecer com o pobre investigador. O caos e destruição profetizados para o dia em que as estrelas estiverem certas nunca tem sua real proporção revelada. Tudo em Call of Cthulhu é misterioso. Tudo em Call of Cthulhu é a ponta do iceberg, chamado R’lyeh.

O escopo do jogo é bastante diferente do proposto pelo D&D. Enquanto este é um jogo sobre buscas épicas e jornadas heroicas, Call of Cthulhu é sobre pessoas comuns em situações de puro caos alienígena e horror cósmico e sobre a jornada dessas pessoas pela inexorável loucura que espera por todos que ousam folhear o Necronomicon.

Se existe um jogo que vale a pena ser lido e jogado, definitivamente é Call of Cthulhu. Na minha próxima campanha, pretendo usá-lo novamente, só que, desta vez, usando efetivamente o sistema de Call of Cthulhu.

Fhtagn para todos!

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