O D&D de Eric Holmes

Logo depois que escrevi o post sobre o D&D old school, resolvi ir atrás de uma edição antigona do jogo para conhecer melhor, dar umas jogadas esporádicas e ter algo pra mostrar para os meus filhos quando já forem nerdzinhos jogadores de RPG.

Navegando pelo e-bay, me deparei com uma edição de 1978 do Basic D&D do Eric Holmes, uma das versões mais bad ass do jogo. O livro tava bem barato, US$ 5,00. O problema era o frete para o Brasil: US$ 40,00. Não sei por que exatamente o cara tava cobrando esse valor absurdo, mas isso não vem ao caso. Daí eu vi que o frete para dentro dos EUA era só US$ 3,00, o que me fez lembrar imediatamente da minha prima que mora em Miami e que viria passar o Natal aqui em Porto Alegre.

O leilão, consideravelmente tranquilo, pra mim foi tensão pura. Ok, paguei um pouco mais que os US$ 8,00 pelo livro + frete, um cara resolveu dar lances junto comigo. No fim, tudo saiu por US$ 10,50.

Mas sabe como é o ebay, né? Tu compra o negócio e só Asmodeus sabe quando (e se) vão entregar. Daí uns dias antes da viagem da minha prima, recebo um email: “Primo, chegou um livro velho aqui. Foi esse que tu comprou?” No Natal minha prima veio aqui em casa e me trouxe o livro.

É um livro fininho, tem 48 páginas (como eu disse é um Basic D&D, só vai até o nível 3) e as ilustrações variam de toscas para horríveis. Fora a capa, que é irada. Tirei umas fotos do livro, deem uma olhada:

Essa é a primeira página do livro. O desenho clássico do tempo em que orcs pareciam porcos e magos lançavam magias que ninguém sabia dizer quais eram. A “movimentação” da espada do guerreiro é excelente!

Como vocês podem ver, a edição do livro é super simples. Ele tá meio sujo e levemente amassado, mas fora isso ele está em ótimas condições.

Senhoras e senhores, eu lhes apresento a PIOR ilustração da história do D&D!

Bem, apresentado o livro, vamos ao que interessa: o conteúdo.

Ele serve como uma introdução ao AD&D, que seria lançado poucos anos depois. Ele ainda tem muito do Original D&D do Gygax e do Arneson, e em elementos do Supplement I – Greyhawk, como a classe Thief e dados de vida diferenciados para cada uma das classes, além de elementos que apareceriam apenas posteriormente no AD&D, como o alinhamento contendo o eixo do bem e do mal.

A principal evolução do BD&D em relação ao OD&D em termos de regra é que no BD&D não existe mais a relação raça/classe. Algumas raças possuem limitações em relação às classes (elfos só podem ser homens de armas ou usuários de magia, por exemplo) e é no BD&D que aparece, pela primeira vez, uma explicação lógica e não-totalmente-insana do turno de combate. No livro fica explicado como funciona a iniciativa (quem tem a Dex mais alta age primeiro; caso dois personagens tenham Dex com diferença de até 2 pontos, rola-se 1d6 para ver quem tem a vantagem). O curioso é que essa regra de iniciativa só existe nessa edição do BD&D, então se especula que era uma house rule que o Eric Holmes usava em sua mesa de jogo.

Outro aspecto interessante são as regras de parry, onde o alvo anuncia o parry antes de receber o ataque. Então o atacante rola a jogada com penalidade de -2. Caso o atacante role exatamente o número necessário para acertar, a arma usada para bloquear o ataque é quebrada, mas o personagem não sofre dano.

É muito legal o que está escrito logo abaixo das regras de parry: MELEE RESOLUTION – CONQUER, WITHDRAW, SURRENDER OR DIE! Bons tempos, bons tempos…

O capítulo dos monstros é um tanto bizarro. Ok, tem monstro a dar com um pau (ou espada?), muitos mesmo. A descrição é bem resumida, coisa de um parágrafo. Mas o estranho é que o capítulo apresenta monstros que estão muito acima do nível 3! Definitivamente equilíbrio não era um assunto importante naquela época.

Navegando pela internet me deparei ainda com o Holmes Companion, um suplemento que expande o BD&D até o nível 6!

Curiosidades:

  • Os saving throws aparecem no capítulo das magias, não junto com as respectivas classes.
  • Se um personagem é pego de surpresa, deverá rolar 1d6. Se o resultado for 6, ele se assusta e solta o que estava segurando.
  • Se o monstro derrotado for de nível mais baixo que o personagem que o derrotou, este só recebe uma fração do XP (nível do monstro/nível do personagem).
  • Descrição da habilidade Carisma: “Por outro lado, um personagem com Carisma 18 pode conquistar um grande número de seguidores (homens ou monstros) que provavelmente ficarão ao seu lado até a morte. Da mesma forma, uma mulher com carisma alto não será devorada pelo dragão, mas mantida em cativeiro. Um personagem carismático derrotado por uma bruxa não será transformado em um sapo, mas será colocado em escravidão mágica como seu amante, e assim em diante.”
  • Descrição do Minotauro: “O minotauro é um homem com cabeça de touro (e nós que discutimos regras de RPG estamos bem acostumados com esse tipo de gente).”
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3 comentários em “O D&D de Eric Holmes

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