Lançando magias com Jack Vance

O sistema de magias do D&D é freqüentemente mal compreendido. “Como assim o mago simplesmente esquece as magias?”, dizem muitos. Concordo que os livros do jogo não fazem nada para mudar isso, pois apesar de esgotarem o assunto em termos de mecânica de jogo, pouco ou nada fazem para explicar o feeling do sistema, do porquê dele funcionar da maneira como funciona.

A grande inspiração para a criação do sistema de magias do D&D vem da série The Dying Earth, de Jack Vance, uma série de histórias que misturam ficção científica com fantasia.

Eu acho que não cabe grandes delongas e especulações teóricas aqui, então eu decidi traduzir um trecho da história que exemplificam bem a forma como o sistema de magias do D&D funciona dentro do jogo, especialmente no tocante à memorização das magias.

Vance dizia que as magias eram vivas com o poder que possuíam e que “memorizar uma magia é como colocar um demônio em sua mente”, e isso fica bastante evidenciado no trecho abaixo:

Os tomos que continham os feitiços de Turjan estavam sobre uma grande mesa de aço negro ou estavam jogados em estantes de forma desorganizada. Esses volumes foram organizados por muitos magos do passado, índices bagunçados colecionados pelo Sábio, livros encadernados em couro apresentavam as sílabas de centenas de magias poderosas, tão irrefutáveis que o cérebro de Turjan suportava apenas quatro de cada vez.

Turjan encontrou um tomo empoeirado, virou as páginas pesadas até chegar na magia que o Sábio lhe mostrara, o Chamado da Núvem Violeta. Ele encarou os caracteres, que queimavam com um poder urgente, forçando a página como se ansiosos para deixar a solitária escuridão do livro.

Turjan fechou o livro, forçando a magia de volta para o esquecimento. (…) Então ele sentou-se e, de um diário, escolheu as magias que levaria consigo. Que tipo de perigos encontraria não tinha como saber, então escolheu três magias de aplicação geral: o Excelente Spray Prismático, o Manto Furtivo de Phandaal e a Magia da Hora Lenta.

A partir disso, podemos concluir que a magia ingressa na mente do mago não como algo que ele estudou e descobriu a receita de como lançar, mas sim de uma força viva e poderosa, só esperando o gatilho para deixar a mente do mago e impor seus efeitos sobre o mundo.

Ora, isso abre um leque muito interessante para ser explorado pelo mestre. Imagine que o mago do grupo se depara com um grimório que pertencia a outro mago ou até mesmo um inofensivo pergaminho encontrado em uma dungeon… aplicando a idéia original do “demônio da mente”, as possibilidades são infinitas!

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