Conan

Eu cresci vendo os filmes do Conan com o Schwarzenegger na Tela Quente (na época eles eram filmes novos e não passavam ainda na Sessão da Tarde – hohoho, como sou velho!) e, junto com Caverna do Dragão, moldaram o meu paradigma do que deveria ser uma história de fantasia.

Mas não vou falar sobre os filmes do Conan, não agora. Vou me dedicar mais aos contos e novelas pulp escritas por Robert E. Howard.

As histórias criadas pelo Howard são uma rica fonte de idéias para todo jogador de RPG que se preze. Bastante diferente do estilo de fantasia épica definido por J.R.R. Tolkien, o Howard mostrava personagens e situações mais selvagens, mais crus, no estilo literário que viria a ser classificado como capa e espada (a tradução espada e feitiçaria é bem mais recente e, como não gosto dela, não usarei aqui).

O principal ponto de divergência entre as aventuras de capa e espada e as aventuras de fantasia épica está na abrangência da situação. Enquanto as aventuras de fantasia épica lidam com eventos e perigos que ameaçam o mundo (ou o continente), como o vilão Sauron em O Senhor dos Anéis ou Takhisis nas crônicas de Dragonlance, com os personagens assumindo o papel de salvadores do mundo, as aventuras de capa e espada lidam com eventos e perigos pessoais, onde a ameaça geralmente se põe diretamente em face dos protagonistas, que, por sua vez, querem apenas salvar a sua própria pele – e, quem sabe, pegar umas moedas de ouro na saída.

Mas foquemos nas aventuras do nosso cimério. Robert E. Howard, grande desiludido com a sociedade moderna, retratava a civilização na era Hiboriana como algo decadente, podre e repugnante, contrastando com Conan que, sendo um “bárbaro”, possuia um senso moral e ético consideravelmente maior que os “civilizados”.

O “mundo” de Conan é a nossa Terra, em algum momento entre a queda de Atlântida e a Era Glacial, repleta de monstros, feiticeiros e criaturas vindas de outros mundos. E é exatamente sobre esses últimos que quero falar mais.

Um grande amigo de Howard era outra pessoa também chamada Howard. H.P. Lovecraft, como se tornou conhecido, foi de grande influência para Robert E. Howard enquanto escrevia as aventuras de Conan. É possível ver muitos aspectos dos Cthulhu Mythos em praticamente todos os contos escritos por Robert E. Howard, tanto como ameaças diretas ao bárbaro, como o shoggoth em Sombras de Ferro sob a Lua, ou como o conceito desenvolvido por Lovecraft, de que o nosso mundo era habitado por criaturas que ou foram destruídas ou expulsas e que, pacientemente, aguardam a hora de retornar.

Entretanto as histórias de Howard se diferenciam das histórias de Lovecraft em um ponto determinante: enquanto os protagonistas das histórias de Lovecraft fugiam, morriam ou enlouqueciam devido à opressão dos Grandes Anciões, Conan empunha sua espada e, bravamente, os enfrenta.

Por toda a riqueza (e diversão, sejamos sinceros!) que a curta obra de Robert E. Howard possui, ela é uma indispensável fonte de inspiração para todos em uma mesa de jogo que se preze. Foi Howard que me mostrou que era possível unir os dois RPGs que eu mais gosto (D&D e Call of Cthulhu) em apenas um, transformando meu D&D em algo mais denso, mais sujo, mais insano.

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